Estudantes do SESI SENAI de Blumenau desenvolvem aplicativo para comunicação com a Defesa Civil mesmo sem internet

17 de julho de 2026
Postado por: Alexandre

Solução apresentada durante o Hackathon EducaDC utiliza inteligência artificial para analisar ocorrências, classificar riscos e auxiliar na definição das prioridades de atendimento

Uma equipe formada por estudantes do terceiro ano do Ensino Médio da Escola SESI integrado com o curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas do SENAI de Blumenau desenvolveu um aplicativo para facilitar a comunicação entre a comunidade e a Defesa Civil, inclusive em situações nas quais o acesso à internet esteja comprometido. A solução, batizada de BluAlert, foi criada durante o Hackathon EducaDC, realizado nesta quinta-feira, 16 de julho, no Espaço Multiuso do SENAI, em Blumenau.

O evento reuniu 60 estudantes, distribuídos em 11 equipes, dos níveis médio, técnico e de graduação. Durante o dia, os participantes trabalharam na busca por soluções para desafios reais apresentados pela Defesa Civil de Blumenau, com o apoio de mentores e profissionais ligados à área.

Promovido pelo SESI, SENAI e UniSENAI de Blumenau, em parceria com a Prefeitura de Blumenau, por meio da Secretaria Municipal de Defesa Civil, o hackathon integrou a programação do Julho Laranja, mês dedicado às ações de prevenção, conscientização e preparação para situações de risco e desastres.

A proposta desenvolvida pelos estudantes João Pedro Schmitz, Gustavo Deschamps e Angelo Mattos, permite que moradores enviem descrições e fotografias de ocorrências diretamente à Defesa Civil. As informações passam por uma análise inicial realizada por inteligência artificial, que identifica o possível grau de risco e organiza os chamados por nível de prioridade.

Antes de serem encaminhados para atendimento, os registros ainda podem passar por uma revisão humana, garantindo que a tecnologia funcione como uma ferramenta de apoio à tomada de decisão da equipe da Defesa Civil.

De acordo com Gustavo, a ideia surgiu a partir da identificação de dificuldades na comunicação durante situações com grande volume de ocorrências. “Percebemos que, em momentos de alta demanda, pode ser difícil para a população entrar em contato com a Defesa Civil e para a própria equipe organizar todos os chamados. A partir desse problema, pensamos em um aplicativo que pudesse facilitar a comunicação entre os cidadãos e o órgão público”, explica.

Além da utilização pela internet, o aplicativo foi pensado para operar com formas alternativas de conexão. Em locais ou situações sem acesso à rede, as informações poderiam ser transmitidas por meio de tecnologia de rádio e dispositivos específicos. A solução também poderia utilizar conexões móveis, antenas ou satélites, dependendo da estrutura disponível.

“A principal inovação está na integração com a inteligência artificial e na possibilidade de utilizar o aplicativo mesmo quando não houver internet. A pessoa envia a ocorrência, com uma descrição e fotografias, e a ferramenta faz uma análise inicial para indicar o nível de risco”, detalha Angelo.

Para os estudantes, o contato com profissionais da Defesa Civil e a oportunidade de trabalhar com um problema concreto foram alguns dos principais aprendizados proporcionados pelo evento.

“Foi uma experiência muito significativa. Nunca tínhamos participado de um hackathon e conseguimos adquirir muito conhecimento com os mentores da Defesa Civil e da Prefeitura. É uma oportunidade que contribui tanto para o nosso currículo quanto para a nossa carreira profissional”, afirma Gustavo.

João Pedro também destaca que a participação no EducaDC fortaleceu competências importantes para o futuro profissional dos integrantes da equipe.

“Essa experiência vai agregar bastante ao nosso portfólio, porque mostra que já tivemos contato com desafios reais e com o desenvolvimento de soluções. Também aprimoramos habilidades de resolução de problemas e esperamos que a nossa participação inspire outros estudantes a se envolverem em iniciativas como essa”, ressalta.

Para a coordenadora de Educação Profissional do SENAI, Gislaine Lombardi, a proposta do hackathon foi justamente aproximar os estudantes das demandas da sociedade e incentivar o desenvolvimento de soluções capazes de gerar impacto na comunidade.

“Procuramos despertar nos jovens esse olhar social e de transformação, mostrando que eles podem contribuir com a solução de problemas reais. A intenção é construir uma parceria permanente, para que nossos estudantes continuem participando de forma engajada e inovadora”, afirma.

Ao longo do Hackathon EducaDC, as equipes puderam exercitar conhecimentos técnicos, criatividade, trabalho em grupo e capacidade de apresentação. As propostas foram desenvolvidas a partir das necessidades apresentadas pelos mentores, reforçando a importância da integração entre educação, tecnologia, poder público e comunidade na construção de cidades mais preparadas para situações de emergência. A seleção do melhor trabalho atendeu critérios e foi realizada por um corpo de jurados composto pela Defesa Civil, SESI, SENAI e UniSENAI  e Coordenadoria Regional de Educação.

Para o secretário de Proteção e Defesa Civil de Blumenau, Carlos Menestrina, as 11 propostas apresentadas trazem contribuições significativas. “Blumenau é referência como polo de tecnologia de informação e na prevenção a desastres e foi muito positivo ver iniciativas como esta partindo de jovens que reconhecem o seu papel na sociedade. Parabéns às equipes e ao SESI e SENAI pela organização do evento”, ressaltou Menestrina.

Categoria: Tecnologia (TI)
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