1 de abril de 2026
Postado por: Alexandre

Estado investe em monitoramento, capacitação, assistência e grandes intervenções estruturantes para reduzir impactos das chuvas intensas
Santa Catarina intensifica as ações de prevenção e resposta a desastres naturais diante da previsão de atuação do fenômeno El Niño ao longo deste ano. Conhecido por provocar aumento no volume de chuvas na Região Sul, o fenômeno eleva o risco de eventos extremos, como enchentes, deslizamentos e inundações, exigindo planejamento antecipado e reforço na estrutura de proteção.
O último episódio de El Niño, registrado entre 2023 e o início de 2024, trouxe impactos significativos ao estado, principalmente no Alto Vale do Itajaí. Em outubro de 2023, após dias consecutivos de chuva intensa, o nível dos rios subiu rapidamente e provocou inundações em diversos municípios. A experiência reforçou a necessidade de investimentos estruturantes e ampliou as ações de preparação do Governo do Estado.
Desde então, a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil estruturou um amplo pacote de investimentos em diversas frentes. Apenas no Alto Vale do Itajaí, são mais de R$ 485 milhões aplicados em obras e ações estratégicas. Um dos principais eixos desse investimento é o sistema de barragens, considerado fundamental para o controle das cheias.

As intervenções nas barragens somam R$ 324 milhões e incluem obras de recuperação, modernização e melhorias operacionais nas estruturas existentes, além de estudos para novas soluções de contenção. As estruturas desempenham papel essencial na retenção e no controle do volume de água durante períodos de chuvas intensas, reduzindo o impacto direto nas cidades localizadas a jusante.
Além das barragens, o Estado também destinou mais de R$ 133 milhões para limpeza, desassoreamento e melhoramento de rios. As intervenções ampliam a capacidade de escoamento da água e contribuem para diminuir o risco de transbordamentos em áreas urbanas.
Na área de monitoramento, a rede de estações hidrometeorológicas está sendo ampliada de 42 para 172 unidades previstas até o fim deste ano. A expansão permitirá o acompanhamento em tempo real de chuva, nível dos rios, vento e outras variáveis, aprimorando a identificação de riscos e fortalecendo a emissão de alertas antecipados à população e aos municípios.

De acordo com os meteorologistas da Defesa Civil estadual, o cenário exige atenção contínua. “Os indicativos apontam para a possibilidade de atuação do El Niño, o que normalmente favorece chuvas acima da média em Santa Catarina. Por isso, estamos reforçando o monitoramento e trabalhando com cenários preventivos, para que as equipes possam agir com antecedência e minimizar impactos”, destacou.
O fortalecimento das estruturas municipais também é prioridade. Desde 2023, o Estado já entregou mais de 196 kits de pontes, utilizados para restabelecer acessos em áreas afetadas, além de equipamentos para todas as defesas civis municipais. Essas ações garantem maior autonomia local e rapidez no atendimento às comunidades.
Para o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, Mário Hildebrandt, a preparação envolve investimentos em todas as áreas. “Estamos atuando de forma integrada. Investimos em barragens, em melhoramentos fluviais, em tecnologia de monitoramento e no fortalecimento das defesas civis municipais. A estratégia é ampliar a prevenção para reduzir riscos e, quando necessário, garantir uma resposta rápida e eficiente”, afirmou.

O secretário também destacou a importância das capacitações. “Já realizamos duas edições do Simulado Geral de Desastres. Na mais recente, contamos com a participação de 294 municípios. Isso mostra que nossas equipes estão cada vez mais preparadas para agir com organização e rapidez diante de situações extremas”, acrescentou.
Além da estrutura preventiva, o Estado mantém suporte para atendimento imediato. Desde 2023, mais de R$ 40 milhões foram aplicados em assistência humanitária, com distribuição de itens essenciais às famílias afetadas por eventos climáticos. Ainda, conta com três estruturas regionais com estoque de itens para abastecer rapidamente os municípios que solicitarem apoio.
“Com investimentos em barragens, obras estruturantes, monitoramento, capacitação e assistência, Santa Catarina se antecipa aos possíveis impactos do El Niño e reforça, conforme a visão do governador Jorginho Mello, sua capacidade de reduzir danos, proteger a população e garantir respostas mais rápidas e eficientes diante de eventos climáticos extremos”, finalizou o secretário.
Com avanço do fenômeno, Estado amplia ações de prevenção e monitoramento em todas regiões catarinenses
Santa Catarina deve registrar aumento no volume de chuva e mudanças no padrão de temperatura no segundo semestre deste ano, com a atuação do El Niño. A previsão foi definida no 240º Fórum Climático Catarinense, que reuniu meteorologistas da Secretaria da Proteção e Defesa Civil estadual, da Epagri/Ciram e do AlertaBlu, além de pesquisadores do IFSC e da UFSC.
De acordo com os meteorologistas, ainda não é possível indicar com precisão quais regiões do estado serão mais afetadas nem quando os impactos serão mais intensos. Ainda assim, a tendência é de aumento na frequência e no volume de chuva no Sul do Brasil, padrão típico provocado pelo fenômeno. Esse cenário eleva o risco de alagamentos, enxurradas e cheias em Santa Catarina, especialmente na primavera.
Até o início do segundo semestre, entretanto, o tempo deve ser mais seco. Para abril e maio, a previsão indica chuva entre normal e abaixo da média, o que mantém a atenção em áreas com escassez hídrica. A partir de junho, com a atuação do El Ninõ, os volumes tendem a subir.
Em relação às temperaturas, a tendência é de queda gradual ao longo dos próximos meses, especialmente nas mínimas. Ainda assim, os valores devem permanecer acima da média para o período. Episódios de frio mais intenso são esperados a partir da segunda quinzena de maio, porém de forma menos persistente, com entradas de ar frio mais curtas e intercaladas por períodos de aquecimento. Esse comportamento é típico de anos de El Niño, quando o inverno registra temperaturas acima da média e incursões de frio menos duradouras.
O que é o fenômeno El Niño
O El Niño é um fenômeno climático marcado pela elevação anormal da temperatura das águas do Oceano Pacífico na região próxima à linha do Equador. Esse aquecimento deve alcançar pelo menos 0,5 °C acima da média e persistir por vários meses, interferindo diretamente na formação de nuvens e na ocorrência de chuvas na região tropical do Pacífico. Como a atmosfera funciona de forma integrada, essa mudança altera a circulação de ventos e a distribuição de calor e umidade em diversas partes do mundo.
O fenômeno oposto é chamado de La Niña. Nesse caso, ocorre o resfriamento das águas do Pacífico equatorial, o que também provoca alterações nos padrões de chuva e temperatura, mas com efeitos diferentes dos observados durante o El Niño.
Antes mesmo de ser estudado pela ciência, o El Niño foi identificado por pescadores na costa do Peru e do Equador. Eles observaram que, em períodos de águas mais quentes, a quantidade de peixes diminuía, prejudicando a pesca. Como esse aquecimento costumava ocorrer próximo ao período do Natal, o fenômeno passou a ser chamado de “El Niño”, expressão em espanhol que significa “o menino”, em referência ao Menino Jesus.
Com o avanço dos estudos científicos, foi possível compreender que esse aquecimento não é um evento isolado do oceano, mas um fenômeno de grande escala que também afeta a atmosfera e o clima global.
“A ocorrência do El Niño é irregular. Não há um intervalo fixo entre os episódios, mas, em geral, eles se repetem a cada dois a sete anos. A duração também pode variar. Normalmente, o fenômeno persiste entre nove meses e um ano, embora existam casos mais prolongados, como o evento registrado entre 2015 e 2016”, explicam os meteorologistas Nicolle Reis e Caio Guerra, da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina.
Os impactos do El Niño
Os efeitos do El Niño não são iguais em todas as partes do mundo. Em algumas áreas, a chuva passa a ser mais persistente e volumosa, enquanto outras enfrentam períodos mais secos. “É importante esclarecer que o El Niño não causa um evento extremo específico, mas aumenta a probabilidade de determinados padrões de tempo”, ressaltam os meteorologistas da SPDC/SC.
No Sul do Brasil, o fenômeno está associado a temperaturas mais elevadas, principalmente na primavera e no verão. Nesses períodos, há maior frequência de dias quentes e de ondas de calor, com temperaturas acima da média. Além disso, episódios de chuva volumosa e tempestades severas passam a ser mais frequentes, especialmente na primavera.
Ainda, em Santa Catarina, o aumento do calor e do transporte de umidade da região amazônica, que geralmente acontecem na primavera, podem ocorrer ainda no final do inverno, favorecendo a formação de tempestades mais cedo do que o habitual. Com isso, cresce a frequência de temporais, alguns com intensidade significativa, acompanhados de chuva intensa, rajadas de vento e granizo.
No estado, o período mais crítico costuma se concentrar entre setembro e novembro, quando há maior risco de ocorrências associadas à chuva volumosa, como enxurradas, elevação dos níveis dos rios e inundações.